Sr. Richard Alemão

O primeiro homenageado é o pai do nosso presidente, o Senhor Richard Neubert, conhecido como Sr. Ricardo Alemão. Sua história começa em 1908, em Eibach, na Alemanha, onde nasceu. Tendo estudado em Hamburgo, apenas até o 3º ano do 1º grau, veio para o Brasil em conseqüência da forte crise econômica enfrentada pela Alemanha após a 1ª Grande Guerra. Seu pai, que gostava de agricultura, sentiu-se atraído pelos incentivos oferecidos pelo governo brasileiro, Omo oferta de terra e viagem gratuita. Assim, em 1920, num navio cheio de imigrantes, chegou ao Rio de Janeiro a família Neubert.
O nosso personagem, já com o senso de observação muito apurado, logo percebeu que teriam que atravessar muitas dificuldades para vencerem na “Terra Prometida”. Instalaram-se em São Domingos do Prata e passaram por um difícil período de adaptação à cultura, idiomas e costumes locais.
Ainda menino, Richard, trabalhando com o pai, plantou café, cortou lenha, fez rapadura, vendeu hortaliças. Aos 17 anos, foi trabalhar no trecho de Dom Silvério a Ponte Nova, na construção da Estrada de Ferro Leopoldina. Trabalhou em Ponte Nova e, aos 19 anos, foi para o Rio de Janeiro. Lá aprendeu os ofícios de serralheria e cutelaria. Lá conheceu o Zepelin. Esteve em Angra dos Reis, onde foi operador de máquinas e mecânico.
O jovem Richard, de tempos em tempos vinha visitar seus familiares em São Domingos do Prata, para onde acabou retornando, após acumular algumas economias. Comprou a chácara do Jacinto e lá fez rapaduras, cachaça, engordou porcos, vendeu lenha e criou galinhas. Foi nesta época que conheceu a jovem e formosa Ana, com quem se casou. O nosso Presidente, André, foi o primeiro filho do casal, nascido em 1937.
Logo o Sr. Richard foi trabalhar, como mecânico, nas Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, na hidrelétrica de Jacuí, onde nasceram mais dois filhos: Wanda e Pedrinho. Em 1941 optou por mudar-se para Nova Era, ponto estratégico para implementar suas atividades autônomas como mecânico. Foi assim que fixou residência e montou sua oficina, que rapidamente ficou conhecida em toda a região, atendendo fazendeiros, serralheiros, barbeiros, prefeituras, minerações, etc. Sua empresa foi a primeira indústria implantada em Nova Era e até hoje está em funcionamento. Posteriormente teve outros filhos: Paulo, Augusto, Walter e Gustavo.
O Sr. Richard, pela sua criatividade e inteligência, se constituiu um grande engenheiro amador. Sua oficina foi ganhando projeção na medida em que diversificou suas atividades, atendendo a situações peculiares, idealizando e fabricando peças para reposição, que não eram aqui encontradas. Tornou-se um mágico, que fazia tudo funcionar. Projetou e fabricou várias máquinas operatrizes: forno de fundição de bronze, forjaria, estamparia, moinhos, calandra e tesouras de cortar chapas; desenvolveu projetos hidráulicos, garantindo a manutenção de várias usinas hidrelétricas da região. E assim o Sr. Ricardo Alemão vivia em seu mundo de trabalho, criação e dignidade.
Teve oportunidade de ingressar em grandes companhias, como a Vale do Rio Doce, com ofertas de ótima casa e vultuoso salário. Entretanto, com o início da construção do ginásio em Nova Era, optou por ficar perto de seus amigos Raimundo Félix, Zé Bonifácio, Maneca e outros, e continuar a sua vida livre e tranqüila. Era aqui que passeava de moto, condução muito rara na época para uma cidade do porte de Nova Era. Entre seus lazeres preferidos, além da inseparável motocicleta, que era também um instrumento de trabalho, gostava de nadar, pescar, ler grandes filósofos e a Bíblia. Gostava também de fazer uma análise bem pessoal da história da época. Todos os filhos se formaram em curso superior e trabalham em grandes empresas. Apenas André, o mais velho, aliado permanente do pai, optou por seguir sua obra, ajudando no custeio dos estudos dos irmãos. Com o pai aprendeu o ofício e a sabedoria de vida, calcada na prudência, no bom senso e na responsabilidade.
Até os seus últimos dias de vida, Sr. Ricardo Alemão se fez presente na oficina que criou. Já sem condições de trabalho, continuou pegando nas máquinas, sujando as mãos de óleo, simulando o seu fazer. Com o grande desenvolvimento tecnológico e a abertura do mercado, a Mecânica Neubert passou por um período muito crítico. Mas como “filho de peixe, peixinho é”, André e sua esposa Maria, agora já com a ajuda do filho André Luiz, conseguiram contornar todas as dificuldades e hoje a empresa se mantém sólida, estável e respeitada. É um grande marco para Nova Era. Instalada no CDI, gera o sustento de várias famílias e, pela qualidade de seus produtos e serviços , é reconhecida pelo selo ISO 9002.